domingo, 3 de junho de 2012

Está a seu modo, senhor?


levantou da cama sem dizer uma palavra, procurava suas roupas e o cigarro que apagou sozinho.
estava ali pela minha disponibilidade de tempo, de paciência, de liberdade e comigo não havia negação, seja como seja, seja o que quiser ser. eu dava sexo sem compromisso e gozava com ele olhando nos olhos, ofegante, "como manda o figurino".
observo o esboço de um sorriso sarcástico no seu rosto.
tenho uma boa leitura de expressões, sei que me toma como louca pelo jeito que me reporta o olhar, disse-me um dia desses para que me comportasse, nem fiz caso, não faço caso a "caretagens".

havia momentos que eu representava seu maior troféu, aceitava com resignaçao a brutalidade das suas palavras, aos tapas no rosto, lambia-lhe até a alma se me mandasse e jamais negava meus joelhos ao chão. mesmo sabendo do sêmen que escorreria pelo meu colo_é o tipo de secreção que eu mais odeio, por isso me agradam as mulheres, não pedem pra esporrar na cara e é doce a lubrificação.
depois ele mudava de opinião e me fazia seu maior monstro, seu grande trauma, "a menina que o fez broxar", mais uma caretagem "jorgeniana" da qual nao faço caso.

tínhamos amarras fortes, enfraquecidas por mim. alguns anos atrás eu era apaixonada e ele fazia justiça a esse sentimento com gentileza. hoje as perspectivas mudavam, eu já nao era a menina malcriada de 23, que o mandara tomar no cu várias vezes em função da minha paixão.
ultimamente, me assiste com medo. tem receio de ser atropelado pelas minhas críticas.

para contornar, virou meu "tiozão", conta histórias de quando administrou o puteiro de um agregado da família no interior da Bahia, nos anos 80, conseguiu dar direitos as rameiras, desde carteira assinada (eram cargos fictícios, claro) a pequenas viagens para visitar a família.
damos risadas. fumamos e bebemos vinho a noite toda, ele adora me embriagar, me acha engraçada, talvez eu seja mesmo.
mas tudo termina no trauma, ele é cretino e parece sempre estar relembrando a broxada.
"ei jorge, calma, vc tem uma língua e 10 dedos".
ele deveria saber que são 10 processos fálicos em cooperativismo com a língua que, por sinal, usava muito bem.

olha pra mim e chama de menina, talvez para dar a entender que aprecia a minha
"juventude". eu não me convenço desta falsa pintura, tudo me parece um tipo de autoafirmação, mostrando sua experiencia sobre minha suposta ingenuidade, seria suposta mesmo?

eu, como já disse antes, nem faço caso para estas caretagens.




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