quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Vampirismo


Assistia da janela prédios acinzentados, 
nas calçadas da esquina esboçavam sorrisos, 
felicidade forçada à angustia, tímida angustia.
Não entendeu nada.

O velho doido da rua perdeu-se em devaneios
"tem gente que te atira pedras, os piores te sugam as energias", gritava. 
Ela pensava sozinha "e que tipo de esmolas tenho pra te dar?" "suor?" "sangue?"
Estamos fazendo "curvas antissociais" naquele insistente. 
"Quem é esse cara?"  
"É o que vende entradas para o teatro, a peça mais chata da semana!"
"O que eu tenho haver com isso?"
"O quê?" 
"Puta que pariu! Eu não acredito! Levaram minha carteira. Mas que porra é essa?"

E aí é sua vez de atirar pedras, segura aquela que te couber nas mãos e vai!
Não precisava entender!  
Achava digno toda essa guerra, é um combate vencido, "vencido ou vendido?".
Negava acusações
Renegava promessas e dizia "não" para vários pedidos,
 "fechamos para balanço, reze para que não caia".

"Cambada de vampiros!".
"Some daqui! Eu não fiz pacto de fidelidade! não preciso disso!" 

Era sua palavra, carne, osso e sangue.
Enquanto vivo, é tudo isso, é tudo meu.